Che Chosa è quest'Amor
duração: 1h10
local:
Teatro Ribeiro da Conceição, Lamego
Creio que as histórias de amor são como as viagens de comboio. E quando vejo todos esses viajantes por vezes gostava de ser um, Porque que crês tu que tanta gente espera sobre o cais da gare? Há quem fique na gare a vê-los passar. E para quem tudo são fantasmas.
Há quem apanhe o comboio às vezes certo, às vezes errado, e às vezes chega
atrasado. Tenta apanhá-lo já em andamento: escorrega, cai e magoa-se.
Entre idílios e fantasmas passam os comboios. Pregado a cada carruagem está um letreiro onde se lê: Che Chosa è quest'Amor?
O poeta-soldado Arquíloco (ca. 680 AC - ca. 645 AC) escreveu:
A raposa sabe muitas coisas. Mas o porco espinho sabe apenas uma grande coisa.
Entre o estridente ruído do comboio, filmes falantes, o som doce da flauta, a ilusão dos amantes, a desilusão dos amantes, as cordas friccionadas da viola da gamba, um autor à procura de ideias e antigas gravuras anatómicas avulsas, diz o porco-espinho à raposa:
E o que é isso tudo?
Semi-cerrando os olhos responde a raposa:
Tudo isto é poesia.
Música de: Pedro J. Maia, J. S. Bach, Peggy Lee & Victor Young, François Couperin, Vinicius de Moraes, Maki Ishii e Miguel de Fuenllana.
- ela: Sónia Correia
- ele & flauta de bisel: António Carrilho
- direcção & live coding: António Almeida
